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É bom querer coisas, RIM

O CEO da RIM, Thorsten Heins. Foto: Eric Risberg /AP

BlackBerry. É provável que haja já uma geração de utilizadores que nunca ouviu falar neste nome.

Mas isso não parece preocupar Thorsten Heins. O CEO da RIM, a empresa que fabrica o hardware e software BlackBerry, disse aos jornalistas ontem durante a apresentação de uma versão beta da nova versão do sistema operativo BlackBerry que “Temos condições em ser a plataforma número três do mercado.”

Eu duvido.

Quem tiver um bocadinho de bagagem histórica nesta coisa da tecnologia saberá que a BlackBerry já foi a plataforma número um do mercado. Elogiava-se o serviço de mensagens proprietário, o teclado físico, mesmo o design e qualidade de construção dos equipamentos. A RIM era campeã do importante mercado empresarial. E depois (quase) tudo mudou.

Está visto que o sucesso de uma plataforma móvel está intrinsecamente relacionado com a sua massa crítica. Se uma plataforma não tem massa crítica ninguém quer desenvolver para essa plataforma. Para além disso, existe uma diferença fundamental entre a RIM e a Microsoft (neste momento a principal rival da RIM no mercado da tecnologia móvel): a Microsoft tem dinheiro de sobra para esbanjar no Windows Phone; a RIM tem os BlackBerry – e esses não estão de boa saúde.

Os BlackBerry continuam a ter expressão nalguns mercados, mas o futuro não é animador. Cobertura dos BlackBerry nos meios especializados (e não só)? Raríssima. Brand awareness? Nunca foi pior. É como se tivéssemos já aceitado o inevitável desaparecimento da plataforma. Também não podemos dizer que a empresa se esteja a esforçar muito para impressionar os utilizadores… Lembram-se do PlayBook?

Acho sinceramente que a RIM tinha muito mais a ganhar se se tornasse em exclusivo numa empresa de serviços. Não me parece que exista espaço para quatro jogadores e muito menos que a RIM consiga permanecer nos três primeiros.

Fonte: The Verge

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Os olhos comem. Os ouvidos não, mas deviam!

Tu! Sim, tu mesmo que estás a ler este blogue! Diz-me se estiver enganado: é provável que tenhas pelo menos um smartphone e que o uses para mais do que fazer e receber chamadas. Se calhar o teu smartphone é também o teu principal leitor de música, ou pelo menos o dispositivo que, porque não tens outra escolha, mais usas para ouvires os teus álbuns, rádios online e podcasts. Se ainda não errei, continua a ler e diz-me o que achas.

Vou resistir à tentação de dissertar sobre como os novos hábitos de consumo de música me incomodam. Aquilo de que me queixo sobre este assunto tem sobretudo a ver com a contínua e sistemática abolição dos suportes físicos, à redução das capas dos discos a thumbnails e dos booklets a websites de letras e à Wikipedia. As próximas gerações de ouvintes, salvo raras excepções, não terão o meu problema.

O que eu quero discutir muito rapidamente são… auscultadores.

Os smartphones propagam-se a uma velocidade incrível. Mesmo em situação de crise económica, os telemóveis lideram as intenções de compra dos portugueses para este Natal[1]. A proliferação dos smartphones nota-se bem quando andamos na rua ou viajamos em transportes públicos. Quando vamos a um concerto ou ao cinema. Não é incomum ver iPhones e outros smartphones topo de gama nas mãos das pessoas. Mas onde parece haver poder de compra para adquirir estes belos (e caros!) dispositivos, não há nem um tostão para comprar auscultadores. Eu pergunto-me porquê.

Não sei bem o que está a falhar. Se são as marcas, que não sabem vender as virtudes de possuir auscultadores de qualidade (são muitas, já agora), se são as pessoas, que estão felizes e contentes a ouvir música e outros conteúdos multimédia através dos seus miseráveis auscultadores brancos (os auscultadores da Apple são dos piores que já usei na minha vida). Talvez um pouco dos dois.

Será que é também a síndrome do good enough[2]? Neste caso não. A diferença entre uns auscultadores incluídos na caixa de um smartphone e, por exemplo, uns Pioneer de 15 euros é já substancial. Substancial não. A diferença é, tipo, do dia para a noite. Até parece que ouves mais instrumentos.

Não é preciso ir a correr comprar uns Beats by Dr. Dre ou uns Bowers & Wilkins. Existem opções com preços mais convidativos e que ainda assim aniquilam quaisquer auscultadores de smartphone (eu uso uns Sennheiser CX-200 na rua e também tenho uns Sennheiser HD215 para utilização doméstica). O What Hi-Fi ajuda-te.

Resumidamente, aproveita que estamos perto do Natal e oferece uns auscultadores a ti próprio ou a quem mais precisa. Os ouvidos agradecem a gentileza.

[1] http://tek.sapo.pt/noticias/negocios/telemoveis_lideram_intencoes_de_compra_para_o_1198561.html

[2] http://techhoje.blogspot.com/2008/08/o-sndrome-do-good-enough.html

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