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As intenções da Apple em abalar os fundamentos dos manuais escolares são nobres[1] (tanto quanto as iniciativas de uma empresa que já vale mais do que a Grécia podem ser nobres[2]). Também não tenho dúvidas que a Apple encontrará neste mercado mais uma fonte de rendimento que valerá destaque em blogues, revistas e jornais.
Manuais escolares interativos são o tipo de coisa que me faz querer voltar a ser uma criança. Grande e pesado seria substituído por duradouro e interativo. As minhas costas, bem como a carteira dos meus pais, ficariam gratas. Isto é tudo ótimo. Mas que efeitos podem estes novos manuais exercer sobre a educação?
Não é incomum deparar-me com artigos de opinião sobre como os novos meios de comunicação, as novas tecnologias mas sobretudo a Internet têm efeitos nocivos para os estudantes. A conclusão destas peças dá a entender que estamos numa era de corta&cola; que os dicionários, as enciclopédias e, em grande medida, os livros académicos foram substituídos pelo Wikipedia; e que até o YouTube e os seus documentários são fonte para o estudo dos mais variados temas, da História à Ciência (guilty as charged).
Hoje ser estudante é mais fácil porque a informação está verdadeiramente democratizada – e ainda bem! O problema é que as escolas e os seus programas (ensino primário e secundário, principalmente) não se souberam ajustar às novas realidades. Aliem facilitismo a acesso fácil e rápido à informação e o resultado são estudantes que sabem pouco de muitos assuntos, mas não são especialistas em nada.
Os novos manuais escolares interativos, bonitos e flashy que a Apple propõe fazem-me querer a voltar ser uma criança, mas sinto que podem dar origem a uma geração de pessoas pior formadas. Isso assusta-me.
Numa coisa eu concordo com a Apple: «We need a reset.»[3]
[2] http://money.cnn.com/2012/01/19/technology/apple_market_cap/index.htm
[3] http://www.techhog.com/apple/news-from-apples-education-media-event-from-new-york-city/
Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

